Uma revelação preocupante sacudiu os bastidores da política local e levantou uma nuvem de desconfiança sobre a lisura das eleições municipais de 2024. A vereadora eleita Janaina Furtado teve sua exoneração de um cargo comissionado no governo estadual publicada apenas em julho de 2025 – muitos meses após o pleito. O detalhe, aparentemente burocrático, carrega implicações sérias e pode configurar uma afronta direta à moralidade pública.
De acordo com a legislação eleitoral, quem ocupa função pública e deseja disputar eleições precisa se afastar do cargo dentro do prazo legal, geralmente até três meses antes da votação. No entanto, a publicação tardia da exoneração de Janaina sugere que ela permaneceu vinculada ao cargo público durante o processo eleitoral, o que pode ser interpretado como uso indevido da máquina estatal a seu favor.
Mais grave ainda: há indícios de que a parlamentar recebeu salários sem estar exercendo efetivamente sua função – o que abre espaço para uma possível investigação por improbidade administrativa. “Isso não é apenas um erro técnico, é um desrespeito com o cidadão que paga seus impostos e confia no sistema”, disse um morador indignado.
No campo eleitoral, no entanto, pouco pode ser feito neste momento. O prazo para contestação da candidatura já expirou, e seu mandato está, juridicamente, consolidado. Mas, no âmbito ético e administrativo, a história está longe de acabar.
Juristas apontam que o caso pode sim ser investigado por órgãos como o Ministério Público. “Se ficar comprovado que ela se manteve no cargo recebendo sem trabalhar, isso configura ato de improbidade. Estamos falando de dano ao erário e quebra de princípios fundamentais da administração pública, como a moralidade e a impessoalidade”, explicou um especialista ouvido pela reportagem.
A população, por sua vez, reage com perplexidade. “É revoltante. Enquanto muitos lutam por um espaço com honestidade, outros se beneficiam de atalhos e descaso. Isso precisa ser apurado e punido, se for o caso”, desabafou uma liderança comunitária.
O caso escancara, mais uma vez, a necessidade de maior fiscalização, seriedade e compromisso com a verdade no processo eleitoral. Para muitos em Tarauacá, o sentimento é claro: o povo merece respostas – e justiça.








