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Casos graves de Covid podem reativar vírus adormecidos no organismo

Pesquisa com mais de mil pacientes hospitalizados relaciona o fenômeno a quadros mais graves da doença e ao desenvolvimento da covid longa

por Jackson Silva
6 de agosto de 2026
Casos graves de Covid podem reativar vírus adormecidos no organismo

A Covid-19 pode fazer mais do que causar uma infecção respiratória. Um estudo publicado nessa quarta-feira (5/8) na revista Nature indica que casos graves da doença podem reativar vírus que permanecem adormecidos no organismo por anos. Segundo os pesquisadores, esse fenômeno esteve associado a quadros mais graves da infecção e também ao desenvolvimento da Covid longa.

A pesquisa acompanhou mais de mil pessoas hospitalizadas com Covid-19 durante 2020 e o início de 2021. Quase metade dos participantes apresentou reativação de vírus que já estavam presentes no organismo, como o vírus Epstein-Barr, o citomegalovírus, o herpes simples e os anelovírus.

Como os vírus voltam a ficar ativos

Muitas pessoas são infectadas por alguns vírus ainda na infância ou adolescência. Depois da infecção inicial, esses microrganismos não desaparecem completamente. Eles permanecem em estado de latência dentro das células e, normalmente, são mantidos sob controle pelo sistema imunológico.

Os pesquisadores queriam entender se a infecção pelo coronavírus poderia favorecer esse “despertar”. Para isso, analisaram amostras de sangue, secreções nasais e fluidos pulmonares dos pacientes internados.

Os resultados mostraram que a reativação não acontece de forma igual para todos os vírus. O Epstein-Barr e os anelovírus costumam reaparecer logo após a internação, enquanto o citomegalovírus e o herpes simples tendem a ser detectados cerca de três semanas depois, principalmente nas vias respiratórias.

A análise trouxe ainda outro dado importante. A reativação também foi observada em pessoas sem doenças que comprometem o sistema imunológico.

“Provavelmente a covid induz um estresse que desencadeia essas reativações, ampliando ainda mais a inflamação causada pela doença. Nesses casos, a covid não está agindo sozinha”, afirmou Esther Melamed, médica e pesquisadora da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, e coautora do estudo, em comunicado.

 

Relação com a Covid longa

Os pesquisadores acompanharam os participantes durante um ano após a infecção inicial e identificaram uma associação entre a reativação dos anelovírus e o desenvolvimento da Covid longa, condição em que os sintomas persistem por meses ou até anos.

Além disso, pessoas que apresentaram vírus reativados também mostraram níveis mais elevados de inflamação, maior atividade das células de defesa e mais sinais de danos celulares do que pacientes hospitalizados que não tiveram esse fenômeno.

Apesar disso, os cientistas ressaltam que o estudo ainda não permite afirmar que esses vírus sejam os responsáveis pelo agravamento da doença ou pela Covid longa. Eles podem tanto contribuir para esses problemas quanto apenas indicar que o sistema imunológico está sob intenso estresse.

O que a descoberta pode mudar

Segundo os autores, compreender esse processo pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de tratamento. Em vez de combater apenas o coronavírus, futuras terapias também poderiam incluir antivirais direcionados aos vírus que voltam a ficar ativos durante a infecção.

Os pesquisadores destacam, porém, que essa hipótese ainda precisa ser testada em estudos clínicos para confirmar se tratar esses vírus realmente melhora a evolução da Covid-19 ou reduz o risco de Covid longa. Atualmente, um ensaio clínico já avalia o uso de antivirais contra herpesvírus em pessoas com covid longa.

 

Fonte: Metrópoles

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