Em registro polêmico, parlamentar defende ação do ICMBio e chama deputado de “vagabundo”; produtores denunciam confisco de terras e animais como “roubo”
Um áudio vazado nas redes sociais trouxe à tona uma fala explosiva do vereador Chagas Batista (PCdoB), de Tarauacá. No registro, o parlamentar critica duramente os produtores rurais da Reserva Extrativista Chico Mendes, defende as ações do ICMBio e ataca o deputado federal Coronel Ulysses (União Brasil), chamando-o de “vagabundo”.
As declarações provocaram revolta entre trabalhadores rurais e lideranças políticas da oposição.
Defesa do ICMBio e ataque ao deputado
Na gravação, Chagas Batista se posiciona a favor das ações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que tem realizado operações de apreensão de gado e retirada de famílias de áreas consideradas protegidas. Em sua fala, o vereador desqualifica os produtores e critica o deputado federal, que tem se posicionado contra as medidas do governo federal.
“Isso é roubo!”, afirmam produtores
Produtores afetados pelas ações do ICMBio classificam as apreensões como “confisco ilegal” e denunciam o que consideram um verdadeiro ataque à sobrevivência de famílias que vivem há décadas na região, com investimentos em plantio e criação de gado.
— “Isso é um absurdo! Trabalhamos a vida toda, e do nada o governo vem e tira tudo. É roubo, não tem outro nome”, desabafou um pecuarista que preferiu não se identificar.
Clima tenso: vereador x deputado
Além de defender o ICMBio, Batista partiu para o ataque direto ao deputado Coronel Ulysses, dizendo que ele é um “vagabundo”. A fala gerou reação imediata da base do parlamentar.
— “Enquanto o vereador fica defendendo a destruição de famílias trabalhadoras, nós estamos do lado de quem produz. Quem é vagabundo é quem apoia esse desgoverno!”, rebateu um assessor do deputado.
Ulysses reage com críticas duras
O deputado Coronel Ulysses respondeu às declarações afirmando que não dará “ibope para comunista”, comparando o vereador a defensores de criminosos e classificando o governo como perseguidor do povo acreano.
— “Não dou ibope pra comunista, nem pra ladrão e maconheiro que defende criminoso e governo ladrão. Esse tipo de gente que, na hora da eleição, vai atrás do voto dos pobres, mas depois vira as costas para os trabalhadores e produtores perseguidos pela milícia da Ministra Marina”, disparou o deputado, referindo-se à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Repercussão e polarização
O caso deve acirrar ainda mais os ânimos no Acre, onde a tensão entre ambientalistas e produtores rurais é constante. De um lado, defensores da esquerda argumentam que é preciso preservar o meio ambiente “a qualquer custo”. Do outro, ruralistas acusam o governo de “massacrar o povo que produz”.

