Ele não reclamará em público. Weverton deverá ser até homenageado. Mas sai triste do Palmeiras. Se machucou como titular e viu seu espaço acabar. Por ter dez anos mais que Carlos Miguel.
“Weverton é o maior goleiro da história do Palmeiras.
“Quer muitos gostem ou não.”
A afirmação de Abel Ferreira foi feita no sábado, depois da vitória do Palmeiras, contra a Portuguesa.
O treinador português já sabia que a ida de Weverton para o Grêmio estava mais que encaminhada.
Abel é inteligente.
Se ele considera mesmo que Weverton é o maior goleiro da história do Palmeiras, por que Carlos Miguel é seu titular? E foi favorável à sua saída do clube, em uma temporada tão difícil?
Por que Weverton tem 38 anos.
Dez a mais que Carlos Miguel.
E isso foi decisivo para sua saída do Palmeiras.
Desde a chegada do ex-goleiro do Corinthians ele viu o desinteresse da direção em renovar seu contrato, que terminaria no final deste ano.
Nem pensar em igualar a proposta do Grêmio, que ofereceu um aumento de R$ 150 mil, aos seus R$ 700 mil que recebia.
Mas o contrato de três anos.
Ou seja, 36 meses.
Só de salários, ele pode se programar para receber R$ 30,6 milhões.
A direção do Palmeiras e Abel Ferreira não colocaram qualquer obstáculo na saída.
Muito pelo contrário.
Eles sabiam que evitariam pressão sobre Carlos Miguel.
A sombra de Weverton é gigantesca.
Ele tem 12 títulos pelo Palmeiras.
Fez 454 partidas.
Foi titular em todos os dez títulos de Abel Ferreira.
Aliás, o treinador sabe que fez um discurso próximo ao executivo que elogia seu funcionário, sabendo que ele está deixando a empresa.
Abel cometeu enorme heresia.
Leão, Marcos, Oberdan Catani e Valdir Joaquim de Moraes foram excelentes goleiros. E estão em um patamar acima do ótimo Weverton.
O novo goleiro do Grêmio tem mesmo motivo para estar entristecido.
Ele perdeu a posição depois de ter uma fissura na mão direita.
A contusão foi contra o Juventude, em outubro. Ele até atuou uma partida depois, diante do Red Bull Bragantino, mas não houve como seguir.
Weverton desconfiava que Carlos Miguel ficaria com sua vaga definitivamente.
E foi o que aconteceu.
Quando Marcelo Lomba renovou contrato, aí foi dado mais um recado.
No íntimo ele sabia que o Palmeiras não manteria três goleiros de alto nível.
E decidiu que não seria reserva.
Ao perceber que Abel já havia definido que Carlo Miguel seria o titular absoluto em 2026, Weverton ficou apenas esperando. Sabia que viria uma grande proposta.

Veio a do Grêmio.
E ele fechou contrato.
O que o Palmeiras está fazendo com Weverton não é homenagem.
Nem facilitando a transação para que ele desfrute.
O clube paulista quis apenas apostar, sem pressão, em Carlos Miguel.
O Palmeiras liberou a saída de Weverton sem custo para o Grêmio.
E fez a rescisão amigável com o jogador.
Em vez da Libertadores, vai disputar a Copa Sul-Americana.
Seguirá sua carreira.
O que fez no Palmeiras foi excepcional.
Goleiro mais vitorioso da história, com seus 12 títulos.
Mas não o melhor de todos os tempos.
Weverton tem de sair de cabeça erguida.
E magoado.
Ele sabe que teria condições de brigar, de igual para igual, com Carlos Miguel.
Mas a opção foi por um ótimo goleiro.
E com dez anos menos.
O Palmeiras foi cruel com Weverton…


