O amor acabou? PP decide lançar candidato próprio e tensiona relação com o prefeito Tião Bocalom

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Rio Branco promete ser um dos capítulos mais tensos do início da nova legislatura. Em reunião realizada ontem, a executiva municipal do Progressistas (PP) decidiu que o partido não abrirá mão de lançar um candidato próprio, rejeitando qualquer composição em apoio ao nome defendido pelo prefeito Tião Bocalom, o vereador eleito Joabe Lira (UB).

A decisão marca um claro rompimento político entre o PP e o prefeito, enfraquecendo a base governista na Câmara. Entre os argumentos apresentados pelo partido, destaca-se o fato de o PP ter conquistado a maior bancada da Casa, elegendo seis vereadores.

Para evitar divisões internas, os dirigentes do PP optaram por um mecanismo democrático de escolha. Na próxima segunda-feira, os seis vereadores eleitos pelo partido votarão entre dois nomes pré-selecionados para a disputa: a vereadora Elzinha Mendonça (PP) e Samir Bestene (PP). O objetivo é unificar os votos da bancada em torno de um único nome, fortalecendo a candidatura do partido na disputa pela presidência.

Importante destacar que os membros da executiva do partido não terão direito a voto, demonstrando o compromisso com a autonomia da bancada no processo de escolha.

O apoio do prefeito Tião Bocalom ao vereador Joabe Lira é amplamente conhecido e não é novidade nos bastidores da política local. No entanto, com o anúncio do PP, surge a dúvida sobre qual será sua estratégia diante do confronto. Recuar e buscar um diálogo com o PP parece improvável, dado o perfil político de Bocalom.

A insistência no apoio a Joabe, por outro lado, pode aprofundar o distanciamento entre o prefeito e a maior bancada da Câmara, dificultando a governabilidade nos próximos anos.

Além do embate entre PP e o grupo do prefeito, um terceiro elemento promete agitar a eleição para a presidência: o bloco independente formado por cinco vereadores. Mantendo-se coeso até agora, esse grupo surge como um fiel da balança na escolha da nova mesa diretora.

Com interesses distintos em jogo, as próximas semanas serão decisivas para o futuro político de Rio Branco. O cenário é de alta tensão, e a disputa pela presidência da Câmara já é apontada como uma das mais acirradas dos últimos anos.

A certeza é que a eleição para a presidência da Câmara vai “pegar fogo”. De um lado, o PP busca se consolidar como protagonista no Legislativo. Do outro, o prefeito Tião Bocalom tenta garantir que terá um aliado no comando da Casa. E, no meio desse embate, estão os blocos independentes, que terão o poder de decidir os rumos da disputa.

O desfecho, entretanto, ainda está longe de ser previsível. O que está claro é que, no atual cenário, acabou a política de conciliação — e também o amor entre o PP e a base de Bocalom.

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