Todos os feridos foram levados ao Hospital da Restauração, no bairro do Derby, e, até a manhã desta segunda-feira (3), apenas um deles permanecia internado
A Justiça decretou a prisão preventiva de 13 homens detidos em flagrante após os episódios de violência registrados no sábado (1º), dia do clássico entre Santa Cruz e Sport, no Recife. De acordo com informações do G1, a Polícia Civil conduziu 32 pessoas à delegacia em meio ao cenário de caos, que deixou pelo menos 12 feridos.
Os confrontos, que se espalharam por diversas áreas da capital pernambucana e região metropolitana, resultaram na apreensão de armas improvisadas, como canos de ferro, arames farpados e barrotes de madeira. Entre os presos está o presidente de uma das organizadas do Sport, além de um torcedor envolvido no ataque ao ônibus do Fortaleza, ocorrido em fevereiro de 2023, que deixou seis jogadores feridos.
Todos os feridos foram levados ao Hospital da Restauração, no bairro do Derby, e, até a manhã desta segunda-feira (3), apenas um deles permanecia internado, com estado de saúde estável.
Investigação e prisões
A delegada-geral adjunta da Polícia Civil, Beatriz Leite, afirmou que os torcedores estão sendo investigados por crimes como associação criminosa, dano ao patrimônio e lesão corporal. Segundo ela, muitos dos envolvidos, mesmo feridos, participaram ativamente dos ataques.
“Eles, além de vítimas, também são agressores. Nós precisamos entender que essas pessoas saíram de suas casas com a intenção de provocar esse tumulto, de gerar os atos de barbárie que nós vimos no último sábado”, destacou a delegada.
As prisões preventivas foram decretadas após as audiências de custódia, com seis delas realizadas no Recife e outras sete na região metropolitana, sendo quatro em Paulista e três no Cabo de Santo Agostinho.
Relatório apontava risco de confronto
Um relatório da Polícia Civil, obtido pelo g1, revelou que as forças de segurança já tinham conhecimento de que os torcedores organizados planejavam os ataques. De acordo com o documento, integrantes das torcidas estavam confeccionando armas caseiras e marcando os locais para os confrontos, conhecidos como “pistas”.
Diante dessa informação, as autoridades tentaram minimizar o impacto dos atos de violência. “Já tínhamos as informações dos lugares onde provavelmente poderia haver esses encontros, como terminais de ônibus e grandes avenidas. A Polícia Militar, logo pela manhã, já foi abordando esses ônibus com esses torcedores e essas pessoas já foram impedidas de se juntar a essa multidão e praticar outros crimes”, afirmou Beatriz Leite.
Cenas de brutalidade e medo
Além da batalha campal entre os grupos rivais, imagens que circularam nas redes sociais mostraram cenas brutais, incluindo o presidente de uma organizada do Sport sendo violentamente agredido na rua. Ele teve suas roupas arrancadas e foi vítima de violência sexual com uma barra de ferro.
O rastro de destruição e violência fez com que muitos moradores evitassem sair de casa. Os registros dos confrontos mostraram ônibus depredados, correria em ruas movimentadas e torcedores armados atacando rivais.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros envolvidos nos ataques. “Os inquéritos que já foram instaurados serão concluídos, e novos poderão ser instaurados. Pessoas que tiverem aparecido em imagens, sejam de que time for, serão identificadas, qualificadas, indiciadas e apresentadas à Justiça”, garantiu a delegada.