Em Tarauacá, a indignação da população cresce a cada dia. O motivo? Um escândalo que parece ter nome e sobrenome: nepotismo descarado. Um funcionário da Secretaria da Fazenda (Sefaz) resolveu, sem grandes explicações, virar “assessor especial” da prefeitura — mas manteve o mesmo salário. Coincidência? Longe disso. Para muitos, esse é só mais um capítulo de um enredo conhecido: o cabide de empregos que tomou conta da administração municipal.
A Prefeitura é da Família
Não é força de expressão: a prefeitura virou um negócio de família. Uma investigação aponta que os cargos mais estratégicos da gestão estão ocupados não por servidores qualificados, mas por parentes próximos de um único assessor especial. Veja quem já garantiu um cantinho na folha de pagamento pública:
Irmão
Sogro
Esposa
Cunhado
Filho
Irmã
Sobrinha
Esposa do filho
Sim, você leu certo. Até a esposa do filho tem cargo garantido. O recado parece claro: quem não tem laço de sangue, fica de fora.
Enquanto isso, vereadores que suaram para eleger o grupo no poder estão sendo ignorados, escanteados, tratados como figurantes de um teatro político onde o roteiro já está escrito — e a estrela principal não é o prefeito.
O Assessor que Veste a Faixa de Prefeito
Nos bastidores, a conversa é uma só: quem manda de verdade em Tarauacá não é o prefeito. Tudo passa pelo crivo de um homem — o tal assessor especial. Nomeações, demissões, indicações políticas… tudo precisa passar pelo seu aval.
E a prova mais gritante disso veio à tona recentemente. O presidente da Câmara Municipal fez um pedido formal para a cessão de um servidor. Resultado? O assessor barrou. Isso mesmo — o prefeito, que deveria ser a autoridade máxima do Executivo, assistiu calado enquanto seu subordinado vetava uma solicitação institucional.
Quem, afinal, está no comando da cidade?
O que Diz a Lei?
A nomeação de parentes em cargos públicos é ilegal, configurando nepotismo, conforme prevê a Lei Federal nº 12.696/2007 e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). E mais: essa prática pode ser enquadrada como ato de improbidade administrativa, sujeito a demissão, multa e inelegibilidade.
Ou seja, não é só uma questão moral — é uma afronta direta à legislação brasileira.
E o Povo?
Do outro lado da moeda, está o povo de Tarauacá — aquele que acorda cedo, paga seus impostos e depende dos serviços públicos. Esse mesmo povo hoje se pergunta: nossos direitos estão nas mãos de quem? De servidores capacitados ou de uma única família que trata a prefeitura como herança?
A revolta cresce, a confiança despenca, e a cidade assiste a tudo como quem vê o trem descarrilando sem saber onde está o freio.
Até Quando?
Essa reportagem é um convite à reflexão — e um alerta. Não se trata de política, mas de respeito com o dinheiro público. Tarauacá merece uma gestão técnica, honesta e comprometida com o povo, não um clã familiar exercendo o poder nas sombras.
Esta matéria está em constante apuração. A qualquer momento, um posicionamento da prefeitura ou do assessor especial poderá ser incluído. Mas uma coisa é certa: a verdade não pode ser escondida por muito tempo.