Ameaças de Putin fazem a Polônia formar um dos maiores exércitos do mundo

O país dobrou o efetivo militar nos últimos anos para se proteger diante da ameaça russa no leste europeu

Até 2014, a Polônia nunca havia sido lembrada como uma nação com enorme poder militar. Mas as coisas começaram a mudar naquele ano. Quando a Rússia anexou a Crimeia, Varsóvia entendeu que precisava de uma defesa robusta para evitar o mesmo destino. Desde então, o país dobrou suas tropas e se tornou o terceiro maior exército da Europa.

Ascensão militar

Quando o presidente russo Vladimir Putin invadiu e oficializou a anexação da Crimeia, um território que é reivindicado pela Ucrânia como uma república autônoma, nos primeiros meses de 2014, as Forças Armadas da Polônia eram a nona maior da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Hoje, os poloneses ocupam a terceira posição em efetivo militar na aliança, atrás apenas dos Estados Unidos e da Turquia. A defesa do país dobrou em mão de obra, chegando a um efetivo de mais de 200 mil membros. Já o orçamento triplicou em termos reais: alcançou US$ 35 bilhões anuais (cerca de R$ 204 bilhões).

Na Europa, apenas o Reino Unido, a França e a Alemanha gastam mais, segundo o jornal britânico The Economist. Mas em relação ao percentual do PIB (Produto Interno Bruto) que é dedicado às questões militares, a Polônia está bem à frente do restante do bloco europeu.

Parcerias estratégicas

O governo polonês aposta em alianças com os Estados Unidos e a Coreia do Sul para fortalecer sua segurança. O país gastou mais de US$ 60 bilhões (R$ 363 bilhões, aproximadamente) em compras de helicópteros de ataque Apache, sistemas de defesa antiaérea Patriot e equipamentos militares sul-coreanos avançados, como tanques, obuses e sistemas de foguetes de lançamento múltiplo.

“Estamos enfrentando uma ameaça enorme. Se não aproveitássemos esta oportunidade para desenvolver nossa segurança, seria um fracasso histórico e trágico”, disse Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro da Polônia, ao The Economist.

Presidência rotativa da UE

Em janeiro, a Polônia assumiu a presidência rotativa do Conselho da União Europeia por seis meses, colocando a segurança como tema central. O primeiro-ministro Donald Tusk, que substituiu o governo do partido conservador Lei e Justiça (PiS), quer transformar o país em um pilar de estabilidade na fronteira oriental da Europa.

Parte da frota de veículos militares da Polônia(Divulgação/Ministério da Defesa Nacional da República da Polônia)

Embora mais alinhado à UE, Tusk enfrenta dilemas geopolíticos. Apesar do fortalecimento militar, a Polônia hesita em apoiar iniciativas como o envio de tropas da Otan para a Ucrânia, uma ideia defendida, por exemplo, pelo presidente francês Emmanuel Macron. A posição polonesa reflete tanto preocupações internas quanto tensões históricas com os ucranianos.

 

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