Acusado de chefiar organização criminosa com agentes públicos, Gladson Cameli mantém aprovação de quase 70% no Acre, diz pesquisa

Governador do Acre é investigado em nove inquéritos por corrupção e pode enfrentar condenação em julgamento no STJ.

Mesmo sob acusações de peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, fraude à licitação e formação de organização criminosa, o governador do Acre, Gladson Cameli (Progressistas), mantém alta popularidade. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Control na última semana de 2023 revelou que 69,6% da população de Rio Branco aprovam sua gestão.

Além disso, os dados mostram que 14,8% dos entrevistados avaliam o primeiro ano do segundo mandato de Cameli como “ótimo”, enquanto 45,7% o consideram “bom”. Outros 16,8% classificam a administração como “regular”, e apenas 10,3% a avaliam como “ruim”.

A pesquisa também foi aplicada em Tarauacá, reforçando a percepção de que, apesar das denúncias, Cameli mantém apoio significativo entre os eleitores.

Investigações e julgamento no STJ

Gladson Cameli enfrenta sérias acusações no âmbito da Operação Ptolomeu, conduzida pela Polícia Federal. Ele é réu em nove inquéritos que investigam desvio de mais de R$ 800 milhões de recursos públicos, destinados, principalmente, à saúde e à educação. As investigações foram conduzidas em parceria com a Receita Federal, Controladoria Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU) e outros órgãos de fiscalização.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já aceitou a denúncia contra o governador, tornando-o réu. Apesar disso, Gladson Cameli permanece no cargo, pois a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, decidiu adiar a discussão sobre seu afastamento para outro momento do processo.

Nos bastidores do STJ, fontes apontam que há provas robustas contra Cameli, levantadas pela Polícia Federal, que tornam difícil sua absolvição. A Procuradoria Geral da República (PGR) já solicitou sua condenação, afastamento imediato do cargo e inelegibilidade por oito anos.

Próximos passos no caso

O julgamento do primeiro inquérito deve ser agendado logo após o fim do recesso do Judiciário, em 21 de janeiro. O caso está nas mãos do presidente do STJ, que deverá marcar a data. Enquanto isso, Cameli, atualmente em férias em João Pessoa (PB), segue em meio às tensões sobre seu futuro político e legal.

Se condenado no primeiro inquérito, o governador poderá ser afastado do cargo, declarado inelegível por oito anos e enfrentar penas mínimas de 15 anos de prisão.

Aprovação e desafios

Apesar das graves denúncias, Gladson Cameli segue com uma imagem positiva entre os eleitores, indicando que suas ações de governo, especialmente em áreas como infraestrutura e saúde, têm influenciado a percepção pública.

Analistas destacam que os próximos desdobramentos judiciais serão cruciais para definir não apenas o futuro político do governador, mas também a estabilidade política do Acre em 2024. A força de sua popularidade será suficiente para superar os impactos das denúncias e possíveis condenações? O julgamento trará respostas que poderão mudar o rumo do estado e do governador.

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