Enquanto muitos moradores de Tarauacá seguem enfrentando problemas antigos, como falta de infraestrutura, precariedade na saúde pública e salários apertados, a Prefeitura da cidade decidiu inovar: abriu uma cotação pública para a compra de um Apple iPhone 16 Pro Max, o modelo mais caro e sofisticado da marca. Afinal, quem se importa com as prioridades quando se pode ter um smartphone de última geração?
O prefeito, médico Rodrigo Damasceno, é quem está à frente da gestão que pretende desembolsar entre R$ 10 mil e R$ 12 mil — valor estimado do aparelho — sob a justificativa de que o celular será usado para “melhorar a comunicação institucional”. A publicação oficial foi feita pela Secretaria Municipal de Comunicação, que não economizou na escolha: logo o iPhone mais potente do mercado.
E para que gastar tempo com burocracias? A contratação está prevista para ocorrer por dispensa de licitação, claro, com base na nova Lei de Licitações e Contratos (Lei nº 14.133/2021). Legal? Sim. Moral? Já são outros quinhentos.
A movimentação despertou olhares atentos e sobrancelhas arqueadas. O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) não perdeu tempo e instaurou uma notícia de fato para investigar a “ousada” intenção da Prefeitura. O promotor de Justiça Lucas Iwakami, responsável pela Promotoria Cível de Tarauacá, quer entender se há mesmo uma necessidade real para a compra ou se a gestão municipal está apenas querendo fazer bonito com um celular que, para muitos, representa status, e não exatamente utilidade pública.
“O Ministério Público busca compreender se, de fato, há justificativa plausível e necessidade concreta para a aquisição deste equipamento de alto custo, considerando o princípio da economicidade e a eficiência na gestão pública”, disse o promotor, traduzindo para o juridiquês o que muita gente já se perguntou de maneira mais direta: pra que, prefeito?
Nas redes sociais, a repercussão foi imediata. De um lado, alguns defensores afirmam que a modernização dos equipamentos da Prefeitura é essencial — quem sabe para tirar selfies de qualidade em inaugurações ou transmitir lives em 4K. De outro, críticos enxergam um total descompasso entre as necessidades reais da população e a compra do aparelho mais caro da Apple.
Enquanto isso, os servidores municipais seguem usando computadores com teclados falhando e impressoras emperradas. Mas pelo menos, se tudo der certo, o prefeito ou quem ele designar vai poder desfilar com um iPhone novinho no bolso — com três câmeras, carregamento ultrarrápido e tudo mais que o marketing da Apple promete.
Agora, resta saber se a investigação do Ministério Público vai frear esse arroubo tecnológico ou se Tarauacá, uma das cidades mais carentes do Acre, vai entrar para a lista das prefeituras mais conectadas — ou pelo menos, mais estilosas.
Fica a pergunta:
Comunicação institucional ou ostentação pública?
Aguardemos os próximos capítulos.








