Uma operação conduzida pela Polícia Militar resultou na prisão de três homens e na recuperação de R$ 50 mil em espécie, após um assessor parlamentar ser feito refém em um suposto roubo registrado na BR-364, nas imediações do município de Bujari, no interior do Acre, na tarde desta segunda-feira (21).
De acordo com relatos repassados pela corporação, a vítima conduzia um automóvel modelo Tera, de cor branca, deslocando-se no sentido Rio Branco–Bujari, quando foi interceptada por um veículo Voyage branco com três indivíduos a bordo. Na ocasião, dois dos ocupantes desembarcaram armados e efetuaram a abordagem.
Conforme a dinâmica descrita pela polícia, o assessor foi forçado a continuar ao volante do próprio automóvel, enquanto era monitorado de perto pelos suspeitos. No interior do veículo da vítima, encontrava-se a quantia de R$ 50 mil.
A movimentação suspeita chamou a atenção de testemunhas populares, que imediatamente acionaram o Centro Integrado de Operações de Segurança. Uma guarnição do destacamento local de Bujari mobilizou-se e conseguiu interceptar o Voyage utilizado pelo grupo nas proximidades da balança rodoviária do município.
Durante o cerco inicial, um dos suspeitos acabou detido. Em depoimento preliminar aos policiais, ele revelou que os outros dois comparsas seguiam em direção à capital Rio Branco, levando a vítima e o carro subtraído.
Os dados foram repassados com urgência para as unidades de reforço em patrulhamento na região. Equipes especializadas da ROTAM e do BOPE iniciaram o rastreamento do veículo Tera, que foi interceptado exatamente no momento em que deixava o município de Bujari com destino a Rio Branco.
Segundo o registro policial, ao receber ordem de parada, a guarnição da ROTAM foi recebida a tiros. Pelo menos dois disparos foram direcionados contra os policiais, que revidaram à injusta agressão.
No decorrer do confronto armado, Matheus Henrique Lopes da Silva, de 23 anos, foi alvejado no ombro esquerdo. Na sequência, um dos comparsas abandonou o carro e tentou escapar adentrando uma área de vegetação densa, mas acabou cercado e preso logo em seguida.
O assessor parlamentar foi prontamente retirado do automóvel e, conforme as autoridades de segurança, saiu ileso, sem sofrer nenhum ferimento físico.
Durante a varredura e o cerco, os militares apreenderam um revólver calibre .38, três munições intactas e outras já deflagradas, além de recuperarem integralmente a quantia de R$ 50 mil.
Os suspeitos capturados foram formalmente identificados como Matheus Henrique Lopes da Silva, de 23 anos, que fazia o uso de tornozeleira eletrônica; Kauan Jhonata Viana Monteiro, de 20 anos, igualmente monitorado por equipamento eletrônico; e Rycher da Silva Cardoso, de 35 anos.
O ferido, Matheus, recebeu os primeiros socorros de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi levado sob escolta para o Pronto-Socorro de Rio Branco. Após receber assistência médica e alta hospitalar, ele foi conduzido à Delegacia Central de Flagrantes (DEFLA).
Os outros dois detidos, Kauan e Rycher, foram encaminhados diretamente à DEFLA, junto com o montante financeiro recuperado, a arma de fogo e o material balístico apreendido.
Investigação apurará planejamento e origem dos valores
A Polícia Civil assumirá o caso para apurar se a ação criminosa foi minuciosamente planejada de antemão. Dados preliminares, que ainda carecem de confirmação oficial, indicam que a vítima poderia estar sob monitoramento desde o início da jornada e que o grupo criminoso alimentava a expectativa de encontrar uma quantia muito superior à que efetivamente foi recuperada.
Durante os desdobramentos da ocorrência, os envolvidos teriam feito menção a um montante aproximado de R$ 750 mil. Segundo os relatos colhidos, a informação sobre a suposta existência desse valor expressivo teria chegado aos suspeitos por intermédio de uma terceira pessoa.
Outro ponto que precisará ser esclarecido pelas autoridades é a procedência dos R$ 50 mil encontrados, investigando-se uma eventual conexão com verbas de campanha eleitoral. Até o momento, não há qualquer confirmação oficial de que o dinheiro esteja relacionado a disputas de candidatos ao Governo do Estado do Acre ou ao Senado Federal.
O inquérito policial terá a responsabilidade de detalhar a cronologia do crime, o grau exato de participação de cada indivíduo, a origem lícita ou ilícita do dinheiro, a veracidade das informações referentes aos valores mencionados e a eventual participação de outros coautores na empreitada criminosa.










