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Com dívidas de R$ 100 milhões, Adaílton diz que situação financeira da Sesacre é “muito precária”

por Jackson Silva
8 de julho de 2026
Com dívidas de R$ 100 milhões, Adaílton diz que situação financeira da Sesacre é “muito precária”

A ameaça de paralisação parcial dos serviços de ortopedia e traumatologia no Acre levou o deputado estadual Adailton Cruz (União Brasil) a cobrar transparência da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) sobre a situação financeira da pasta. Em entrevista concedida ao programa Boa Conversa – Edição Aleac nesta quarta-feira, 08, o parlamentar afirmou que a população precisa ser informada sobre o cenário enfrentado pela rede estadual e defendeu uma solução rápida para evitar prejuízos à assistência.

A entrevista ocorreu após a GoiásMed Serviços Médicos Ltda., responsável pelos atendimentos de ortopedia e traumatologia na rede estadual, comunicar oficialmente à Sesacre que poderá suspender as cirurgias eletivas devido aos atrasos nos pagamentos referentes aos meses de fevereiro, março e abril.

Para Adaílton, a situação é grave devido à importância do serviço prestado pela empresa. “É uma situação preocupante. A sociedade precisa ter noção da gravidade da situação. A GoiásMed é responsável pelo atendimento de urgência, emergência e eletiva de traumatologia. Qualquer problema que envolva fratura, seja fechada, seja exposta ou inclusive clínica, é eles que estão dando a vazão e o atendimento. Hoje mesmo entrei em contato com o pronto-socorro, o serviço continua sendo ofertado regularmente. Já entrei em contato com a Secretaria de Saúde, eles estão agora com a equipe da empresa negociando uma solução para esses pagamentos e eu espero que se solucione, porque se não for pago, quem vai pagar o preço é a população e numa área de extrema relevância e complexidade.”

O deputado destacou que a interrupção das cirurgias eletivas já representa um problema para os pacientes, mas alertou para o risco de comprometimento dos atendimentos de urgência e emergência. “A parte do serviço eletivo de traumatologia já é grave, porque é debilitante, a recuperação é longa. Imagine de urgência, emergência, com fratura exposta, com lesões, com hemorragia. É uma situação, um cenário que não se pode nem sequer imaginar”, ressaltou.

Segundo ele, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa realizará uma reunião na próxima semana com representantes da GoiásMed e da Sesacre para discutir o problema. “Nós vamos inclusive estar realizando uma reunião na semana que vem da Comissão de Saúde com o representante da empresa, com a Secretaria de Saúde e vamos também conversar sobre outras situações que são preocupantes. Eu sei da boa vontade da Secretaria, sei do cenário que se encontra com relação à situação, mas a gente precisa ter uma resposta bem clara e objetiva para que a população não corra risco e nem passe por situações como essa”, ponderou.

Durante a entrevista, Adaílton afirmou que a crise não se limita ao contrato da GoiásMed e citou outras dificuldades enfrentadas pela rede estadual de saúde. “Vale lembrar que esse problema que a gente está vindo à luz agora não é resultado da atual gestão da Sesacre que assumiu agora, muito menos da atual governadora. Isso é um processo que veio se acumulando e agora a situação está se expondo”, ressaltou.

O parlamentar afirmou ainda que recebeu relatos de falta de medicamentos para tratamento de pacientes com câncer e mencionou outros problemas estruturais. “A gente tem informação, por exemplo, que não tem quimioterapia branca. Hoje eu recebi ligação de paciente que foi para um Nacom fazer a sua sessão de quimioterapia branca e não tem quimioterapia. Uma dose desse medicamento custa, em média, R$ 350. Como é que o paciente vai pagar? Quem ganha salário mínimo não tem condições. Isso tem que ser suprido. Outra situação: a gente sabe que tem dívidas, inclusive já pedi informação com relação ao próprio Santa Juliana, que é uma unidade suplementar da saúde que dá muita vazão aos serviços. A gente tem informação também que há leitos de UTI bloqueados por falta de profissionais e esse cenário, se não tiver uma intervenção e um planejamento efetivo, pode culminar com um blackout do nosso serviço e a população será penalizada”, pontuou.

Ao ser questionado pelo apresentador sobre informações de que a Sesacre teria cerca de R$ 100 milhões em pagamentos pendentes com fornecedores e empresas prestadoras de serviço, Adaílton disse que não possui dados oficiais, mas reconheceu que esse é o cenário relatado nos bastidores. “Nos bastidores, e aqui eu não estou falando de forma oficial, a informação que a gente tem é que realmente a questão financeira da Secretaria está muito precária com relação a débitos de manutenção de serviços em áreas essenciais. É lógico que nós vamos conversar sobre essa situação. Eu não tenho informações oficiais, mas é preciso que se esclareça e que se deixe clara a situação e se traga para a nossa sociedade segurança na continuidade dos serviços”, reforçou.

O deputado defendeu que o governo apresente um posicionamento claro sobre a situação financeira da Saúde e adote medidas para evitar novas interrupções de serviços. “A gente não pode omitir a informação e, de uma hora para outra, ter essas notícias graves de suspensão de serviços que vão penalizar o nosso povo, a nossa sociedade. Nós vamos chamar, vamos conversar, vamos apoiar, inclusive conversar com a própria governadora para ver como está sendo feito o planejamento de remanejar recursos, enxugar em um canto ou outro para suprir essa demanda. A saúde, nessa situação, é prioridade número um porque é a vida que está em jogo”, finalizou.

Fonte: Ac24horas

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